Margarida era uma linda criança, como tantas outras, com os seus cabelos
pretos, sedosos e volumosos pelo meio das costas. Os olhos e pestanas eramigualmente negros. Caminhava nos nove anos de idade e frequentava a escola com
alguns amigos daquela pequena vila.Mantinha-se tímida e bastante reservada, talvez devido ao facto de ser órfã
de mãe. Esta perdeu, pois, a vida ao encaixa-la neste mundo. Ficou, assim, aviver com seu pai e avó paterna, os quais lhe davam bastante carinho. Porem,
apesar de tudo, não se sentia muito feliz, antes pelo contrário, o vazio dentrodela tornava-se cada vez maior.
Quase todos os dias, sempre que regressava a casa vinda da escola, encontrava
a mesma vazia, ou seja, sem ninguém. Por essa razão, ela dirigia-seinstantaneamente para o quintal, que ficava logo atrás da sua casa. Ali podia
desfrutar duma linda paisagem, que, embora sendo já bem conhecida, continuava arevelar-se encantadora e calma após um dia vulgar de muita agitação.
Numa dessas tardes normalíssima dirigiu-se ao local, que era costume
frequentar. O pôr-do-sol estava lindo, com um maravilhoso arco-íris aenvolve-lo, pois tinha estado a chover. Também, por essa razão, a lama era
imensa.Margarida fez um pequeno desvio, com o único intuito de escolher um sítio
mais seco. Viu então algo a espreitar da terra enlameada e que brilhava ao serembatido pelos raios de sol, que já eram fracos.
Lentamente baixou-se para apanhar o objecto que lhe chamara a atenção e que
ainda continuava meio escondido nessa terra lamacenta. Puxou-o, então, um poucopara o conseguir arrancar e sacudiu-lhe a terra molhada que o envolvia.
Era um objecto redondo, grande e com uma certa cavidade, que ela imaginou ser
de ouro. Seria, talvez, uma enorme tigela ou um vazo antigo? Estaria ele alienterrado já há muito tempo? Sim, só podia ser e tudo denunciava esse facto.
Limpou-o cuidadosamente e agora o pensamento de Margarida foi o de estar
defronte da Lâmpada Mágica de Aladin. Assim, como era uso, pediria trêsdesejos. Só que os três desejos dela resumiam-se num só: a vontade louca de
conhecer sua mãe.Margarida deixou-se invadir por essa ambição e sentiu que a esperança a
preenchia pouco a pouco. A única foto que ela conhecia da sua querida mãezinha,continuava exposta na parede do seu quarto. Ela era parecidíssima com a mãe, até
nos cabelos. Todas as pessoas lhe diziam a mesma coisa e Margarida orgulhava-sedesse facto. bolso do casaco, mantinha o pensamento no maior
E enquanto continuava a esfregar o objecto em questão com um lenço de papel,
que encontrara no anseio que albergava em seu coração.E eis que, de repente, o viu concretizar-se!... Ela ficou imóvel ao ver
Margarida olhava aquela maravilhosa visão, que parecia um sonho ilusório e
igual à sua foto de estimação… aquela que ela guardava como sendo o seu tesouro
mais valioso: a sua Mãe, a sorrir-lhe! A vontade tão acalentada por Margarida acabava de se concretizar, ou seria simplesmente uma fantasia!? Fosse o que fosse, não importava! O que era fundamental, naquele momento tão precioso, é que ela tinha o enorme prazer deestar a ver sua Mãe e com um lindo sorriso.
Margarida continuava deveras atenta, como que hipnotizada por aquela magia…estava até, de certo modo, com medo de desviar o olhar, não fosse elaesconder-se. Quando, neste mesmo instante, ouviu estas palavras:- Acredita que, mesmo sem me estares a ver, eu continuo sempre contigo!
Repentinamente ela sentiu a humidade nos olhos e as lágrimas a quererem
irromper, mas cerrou as pálpebras, recusando-se a deixa-las sair. E, quando as
abriu novamente, a imagem tinha sumido… tal como ela temera. Então ouviu
uma voz bem conhecida, que a chamava repetidamente. Era sua avó, que tinha
acabado de chegar a casa, com uma cesta de maçãs.O crepúsculo aproximava-se
lentamente e Margarida abraçou aquele objecto, que já era especial para ela.
Sorriu para si própria e seguiu em direcção ao local onde era esperada. A escuridão
avançou pela noite adentro e isso só ajudou Margarida a omitir aquilo que os olhos
queriam revelar.- Olha que vaso tão brilhante! Onde o achaste? Deixa--o ficar,
que amanhã planto aí uma flor, disse a avó ao estender-lhe uma maçã.
Seu pai notou a súbita felicidade dela e quase lhe perguntou o porquê, mas
felizmente que não o fez, pois, se isso acontecesse, Margarida não conseguiria
esconder-lhe a verdade. Mas ele mostrou-se contente, simplesmente por vê-la
assim.Nessa noite ela dormiu suavemente, embalada com a doçura da maravilhosa
visão… No dia seguinte, quando regressou das aulas, deparou-se com uma planta já
colocada no vaso que ela descobrira: era uma roseira branca, que a sua avó
plantou para ela.
Margarida adorou aquela surpresa, pois era uma óptima razão para que esse
vaso permanecesse eternamente com ela.Os dias passavam e Margarida
continuava a olhar o vaso atentamente, na esperança que lhe revelasse algo mais,
mas ele nada dizia. Porém, mantinha acesa aquela suave recordação…
Cumprimentos
Fredyribeiro Writer
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